domingo, março 12, 2006

Carta aberta aos meus amigos

Olá! Se és meu amigo, recomendo-te seriamente que leias esta carta, pois espero que, a partir de agora, baseies o teu relacionamento comigo no que aqui está escrito.

O que me levou a escrever esta carta é o seguinte: tenho um amigo chamado André, de 20 anos, que é "todo do hip-hop underground", é adepto de carros e tuning e tudo o mais, veste calças muito largas e o VW dele tem um leitor DVD que está sempre a passar hip-hop nacional a altos berros. Para além de tudo isto, o André é Bahá'í. De facto, ainda há cerca de uma semana deu uma palestra pública sobre o papel da juventude na Fé Bahá'í e na sociedade em geral, em Dezembro foi a um encontro europeu Bahá'í na República Checa, e gosta de passar mais de metade de cada Verão em Espanha, frequentemente em encontros e projectos sociais Bahá'ís.

Ora, eu fui assistir à palestra dele. E no meio da palestra dei por mim a pensar "O André deve ter a vida um bocado mais facilitada no que concerne a pre-conceitos dos seus amigos... afinal, os meus amigos fazem comigo várias piadas de ataques bombistas por dia, muitos deles pensam que eu sou praí da Índia ou da Arábia Saudita, e dos que já conseguiram perceber que a Fé Bahá'í é uma religião inteiramente distinta do Islão, a maior parte continua a associar a Fé Bahá'í aos 'árabes' e aos 'monhés'!"

A verdade é que eu talvez tenha contribuído um pouco para estas associações absurdas ao fazer piadas sobre "o meu povo, os árabes". No entanto, pensava que os meus amigos tivessem o discernimento suficiente para perceberem que as piadas não eram nada mais que... piadas.

Assim, quis esclarecer-vos a todos sobre este assunto, por 2 motivos:
  1. estou a ficar cansado das associações ignorantes, e, mais importante que isso,
  2. estas associações impedem que vocês percebam realmente o que é a Fé Bahá'í.

De facto, segundo a Enciclopædia Britannica, a Fé Bahá'í:
  • é a segunda religião mais espalhada geograficamente no mundo, ficando apenas atrás do Cristianismo, de momento;
  • está estabelecida em 247 países e territórios pelo mundo fora;
  • os seus membros pertencem a mais de 2.100 grupos étnicos, raciais, e tribais;
  • tem aproximadamente 7 milhões de seguidores pelo mundo fora;
  • as suas Escrituras estão traduzidas em mais de 800 línguas;
  • é a religião mundial em maior ritmo de crescimento.

Conhecendo estes dados, acho que é inevitável que percebam finalmente que a Fé Bahá'í de facto surgiu no médio oriente (tal como, aliás, o Judaísmo, o Cristianismo, o Islão, o Zoroastrianismo, o Budismo, o Hinduísmo, e por aí fora...), mas que, tal como as outras religiões (todas reveladas por um mesmo Deus), não deve ser de forma alguma associada com um qualquer obscuro movimento oriental.

Adicionalmente, se és meu amigo, espero que consigas reconhecer que sou das pessoas mais analíticas e científicas que conheces. Não aceito absolutamente nenhum facto sem o compreender, sem me ser provada a sua veracidade. Também espero que compreendas que eu nunca, mas NUNCA teria fé cega no que quer que fosse, em Deus, numa religião, ou noutra coisa qualquer. Se acredito em algo, é porque o compreendo, aceito, e admiro a sua utilidade. Espero igualmente que consideres que tenho alguma inteligência. Se aceitares tudo isto, torna-se inevitável assumir que a Fé Bahá'í, na qual acredito, terá, de facto, alguma pequena ponta de significado...

Só para finalizar, quero apenas dizer o seguinte: ao escrever esta carta não estou de qualquer forma magoado ou incomodado com, por exemplo, as piadas que muitos dos meus amigos fazem sobre "árabes" ou seja sobre o que for. Estou é triste por ver que os meus fantásticos amigos poderão estar a perder a oportunidade de ter uma perspectiva mais abrangente sobre o mundo, sobre a cultura global, e sobre algo que os poderá agradar imenso: a Fé Bahá'í!

Fica lançado o repto: conheçam-ME melhor! Façam-me perguntas sobre mim próprio, sobre a minha cultura, sobre a minha família, sobre o Irão, sobre a Fé Bahá'í, sobre se por exemplo me considero mais português ou iraniano...! Tinha uma professora que costumava dizer "Não existem perguntas idiotas, apenas respostas idiotas!"

ENORMES abraços :)

Sahba

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